MunicÃpio
Caeté
Os meados e fins do século XVII caracterizaram-se em Minas Gerais pela penetração de grupos vindos do litoral em procura de fortuna na exploração de ouro, prata e pedras preciosas. Em Caeté, a primeira das “entradas†pode ser atribuÃda ao sertanista Lourenço Castanho Tanques (capitão-mor da expedição), visto datar de 23-III-1664 uma Carta Régia que o louva “pelos serviços prestados como um dos descobridores de Minas dos Cataguazes e dos Sertões do Caeté, fato que ocorreu, portanto, pelo menos no começo do ano anterior, ou mais provavelmente, em 1662, atenta a morosidade das comunicações naquele e o acurado exame das coisas que precediam de ordinário as Deliberações Régias quando estas importavam em honra ou mercê para os vassalosâ€.
Depois, as explorações de Antônio Rodrigues Arzão, que conseguiu extrair apreciável quantidade de ouro nessas terras, sendo seu cunhado Bartolomeu Bueno de Sequeira o continuador de suas pesquisas. Mais tarde, a expedição do paulista Leonardo Nardez, citado pelo ilustre cientista Guilherme von Eschwege em sua notável obra “Pluto Brasiliensisâ€, como descobridor de Caeté, que trata do local onde mais tarde haveria de aparecer a tumultuosa e opulenta Vila Nova da Rainha do Caeté.
Não tardou a descoberta se fizesse conhecida nos mais longÃnquos pontos da Colônia, pois dentro em pouco para aqui, afluÃram levas “paulistas e forasteiros†do litoral Brasileiro e do reino, “vindo sobretudo da Bahia pelo São Franciscoâ€, ficando Caeté, já em 1704, bastante povoada, contando entre seus principais fundadores os seguintes: Sebastião Pereira de Aguilar e sargento-mor Amaral, baianos famosos e riquÃssimos; D. Maria Borba, irmã do tenente-general Manoel de Borba Gato, casada com Manoel Rodrigues Goes; frei Simão de Santa Tereza, que aqui iniciou, em 1704, a construção da igreja do Rosário e ainda o famoso Manoel Nunes Viana que se estabeleceu no sopé da Serra da Piedade, de onde apurou – segundo Antonil – outro tanto talvez da riqueza que Borba Gato acumulou em Sabarabuçu (Sabará), que foi de 50 arrobas de ouro.
Citado o nome desse último povoador, ocorre mencionar a fratricida luta que se desenrolou em 1707 nestas paragens e que é fato marcante na história do Brasil, a Guerra dos Emboabas. Vitorioso, Nunes Viana, que chefiava a rebelião, é sagrado pelo frade Francisco Menezes e seus companheiros como “ditador de Minasâ€. Tal estado de coisas só teve solução com o trabalho hábil do recém-nomeado governador das provÃncias reunidas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho que sucedera a D. Fernando Martins Mascarenhas de Alencastro. Combinado, por intermédio do frade Miguel Ribeiro, um encontro entre Nunes Viana e o novo Governador, este o recebeu com benevolência e simpatia e para dar ao acontecimento “um caráter solene, convocou sob a regência de El-rei o governo supremo das Minas.
Caeté foi elevada à vila a 29 de janeiro de 1714 por D. Braz Baltazar da Silveira. Elevado à condição de cidade com a denominação de Caeté, pela Lei Provincial n.º 1.258, de 25-11-1865. Pela Lei Provincial n.º 2.709, de 30-11-1880, e Lei Estadual n.º 2, de 14-09-1891, é criado o distrito de Morro Vermelho e anexado ao municÃpio de Caeté.
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